A arte de vender a Mona Lisa na Samba

Por Joana Simões Piedade

A Mona Lisa da Samba

Pode ser uma imagem de 2 pessoas, rua e estrada
15 de Abril, Dia Mundial das Artes e “a Mona Lisa da Samba”, escrito e publicado há, uns, 8 anos, na Banda…
Na edição desta semana, em que fazemos uma ronda por aquilo que acontece por estes dias no que à arte contemporânea diz respeito, deparei-me em plena Luanda com o quadro mais famoso do mundo, o mais visitado, aquele sobre o qual tantas linhas se escreveram, o mais reproduzido, o mais satirizado.
Lembro-me de o ter visto ao vivo no museu do Louvre, em Paris. “Ao vivo” é expressão, pois entre mim e Mona Lisa, é sobre o quadro de Leonardo Da Vinci que escrevo, estava uma multidão imensa à frente a disparar das máquinas fotográficas os flashes que reflectiam no vidro blindado que “enjaulava” o quadro, protegendo-o de eventuais ladrões e outros ocasionais meliantes (parece que uma turista já lhe atirou uma chávena de café à cara).
Lembro-me ainda de, na altura, a juntar às dificuldades de observação ter ficado desiludida por o quadro ter uma dimensão bem mais reduzida (77 cm × 53 cm, diz-me uma pesquisa rápida via internet) do que a grandeza da sua fama.

Das muitas linhas que se escreveram sobre A Gioconda houve até quem se tivesse dado ao trabalho de analisar cientificamente o grau de felicidade da mulher pintada por Leonardo Da Vinci. Um computador cruzou variantes diversas como a curvatura dos lábios e as rugas em redor dos olhos para concluir que Mona Lisa estava 83% feliz, 9% angustiada, 6% assustada e 2% chateada.
E foi esse quadro, bom, não exactamente esse, mas uma reprodução – (talvez made in China, via Shenzhen, cidade onde ao mesmo tempo que se produzem aparelhos de leitura de DVD , telemóveis e vestuário, também se imitam, de forma mais ou menos rigorosa, Rembrandts, Monets e Warhols) -, que vislumbrei ao final da tarde no inferno do trânsito da Estrada da Samba.
Em pleno separador central, por entre as buzinas e os fumos dos escapes dos automóveis, lá estava Mona Lisa impávida e serena, – 83% feliz, 9% angustiada, 6% assustada, 2% chateada, diriam os cientistas do sorriso, – imune, resistente ao trânsito do final da tarde na saída de Luanda.
O mesmo sorriso que tantos livros, ensaios, filmes e conferências inspirou. Mas agora ali, sem a multidão do Louvre, sem os guardas, sem o vidro blindado, só ela, bem segura, diligentemente, nas mãos de um zungueiro à procura de fazer negócio.
A arte de vender a Mona Lisa na Samba… Por Joana Simões Piedade

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